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Lisboa, 2030: a vida numa cidade circular

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A Economia Circular e a ideia de “fechar os ciclos” podem parecer conceitos abstratos. Mas a realidade é que já existem muitas iniciativas circulares por aí, provando que a economia circular está a acontecer (e não vai fazer marcha atrás). Para agarrar bem o conceito, perceber toda a sua força, propomo-nos neste artigo responder à seguinte questão: como será a Lisboa de 2030, quando as ideias circulares promovidas pela CEP e por muitos outros já tiverem tido tempo de se entranhar na cidade? Vamos fechar os olhos e imaginar…

Comecemos pela habitação. Em 2030 vamos viver em casas passivas que consomem muito pouca energia e até são capazes de a produzir, através, por exemplo, de painéis solares no telhado (instalados, p.ex., por Coopérnico). Nestas casas as “águas cinzentas” do chuveiro e do lavatório são filtradas e reutilizadas. Gastamos muito menos água.

Os condomínios são muito mais do que uma série de pessoas a viver no mesmo prédio: são centros de partilha e de boa vizinhança. Muitos edifícios terão uma lavandaria comum, uma pequena oficina com ferramentas (inspirada pela Library of Things), um atelier multiusos, tudo partilhado pelos condóminos.

Vamos até lá fora. A cidade está tão diferente! No lugar de alguns baldios e ruínas nasceram jardins e hortas (ex. Horta do Baldio). Há associações de hortelãos a cultivar legumes e a recolher resíduos orgânicos domésticos para compostagem (com apoio do ComBOA!). O feijão-verde da nossa sopa é produzido ali na esquina (e a alface da salada vem do sistema de hidroponia vertical instalado na marquise!). A agricultura urbana tornou-se um lugar-comum, tomando conta de um sem-número de canteiros e inventando novas maneiras de podermos comer a cidade (na foto acima: sistema de cultivo urbano desenvolvido por Ecocenter e Biovivos).

Por todo o lado há mercados de legumes orgânicos produzidos localmente (ex. Agrobio) e cooperativas de distribuição de comestíveis regionais (ex. Boa Colaborativa). Os supermercados vendem a maioria dos produtos a granel (ex. Maria Granel). Com tão pouco plástico para desembrulhar e com a recolha porta-a-porta de restos orgânicos, os nossos caixotes do lixo acumulam tão singelas quantidades que “levar o lixo” é coisa que raramente fazemos.

A Lisboa de 2030 tem mais árvores (em parte, graças ao empenho da Plataforma em Defesa das Arvores). O ar é mais limpo. O verão é mais fresco. A biodiversidade urbana aumentou. Os flamingos avistam-se com mais e mais frequência na zona da Expo, e às vezes vêem-se ouriços-cacheiros a atravessar a rua de uma horta para outra.

Já ninguém compreende como é possível que o automóvel tenha dominado a cidade durante tanto tempo. Lisboa é agora amiga dos peões e dos ciclistas (graças entre outros ao empurrão da MUBi). Os transportes públicos tornaram-se mais fiáveis, baratos e funcionais. Graças à infraestrutura integrada de transportes, é fácil combinar comboio com bicicleta ou autocarro eléctrico, e há sempre alternativa aos combustíveis fósseis. A cidade está menos barulhenta, menos poluída, menos perigosa, mais amiga das crianças e das pessoas com mobilidade reduzida.

Na Lisboa circular de 2030, também os objetos circulam. Foram concebidos para durar, e por isso estão aí para as curvas. E em caso de acidente, é fácil repará-los. Quando a torradeira se avaria, levamo-la ao Repair Café. As roupas que deixamos de usar, levamo-las à Re:Costura onde costureiros amadores e profissionais as reutilizam e transformam.

Os objetos também circulam porque os partilhamos numa economia colaborativa. Livros e filmes abundam nas bibliotecas comunitárias, para já não falar das públicas. A vida desmaterializou-se: certas coisas que antes consumíamos sob forma de objeto são agora serviços, como o carro que tínhamos e que entretanto vendemos para subscrever um sistema de partilha de automóveis (ex. Citydrive), poupando centenas de euros por ano. Ah sim: na Lisboa de 2030, gastamos menos dinheiro.

A Lisboa de 2030 é ainda mais cultural, criativa e estimulante. Há fablabs espalhados pelo país, onde toda a gente pode inventar e fazer objetos a partir de plástico reciclado (com Precious Plastics) ou outros recursos secundários. E fácil montar um grupo de teatro amador e dar espetáculos nos centros culturais de bairro (ex. Centro Mário Dionísio e, na foto, Pessoa e Companhia).

A educação está viva e presente no tecido da cidade. As escolas dos nossos filhos deixaram de ser lugares fechados. Expandiram-se, primeiro para a rua, cortando o trânsito para fazer parques infantis. As crianças fazem voluntariado nas instituições do bairro. A comunidade utiliza a instalações da escola para os seus projetos, envolvendo os alunos e professores.

Lisboa já é uma cidade linda, mas quanto mais circular se tornar, mais gosto vai dar viver nela. Que o futuro chegue depressa!

Co-habitação: novos modelos de alojamento para a cidade verde e inclusiva

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A co-habitação (co-housing no mundo anglo-saxónico, habitat participatif no espaço francófono) constitui um modelo alternativo de alojamento em que a partilha e a participação são valores centrais. Os anos 2000 conheceram um crescimento deste tipo de projetos na Europa, num espírito de idealismo, ecologia e reapropriação da cidade.

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